Tempo de tela por idade: o que a pediatria recomenda
Por Orlando, fundador do Numapoa · Atualizado em 24/09/2026
Quando comecei a organizar o tempo de tela em casa, a primeira pergunta foi a mais simples: quanto é razoável para cada idade? A referência no Brasil é a Sociedade Brasileira de Pediatria, que atualizou as recomendações em 2024. Reuni aqui o que ela diz, com o link para o documento original.
O que a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda
| Idade | Recomendação |
|---|---|
| Menos de 2 anos | evitar a exposição às telas, mesmo de forma passiva |
| 2 a 5 anos | no máximo 1 hora por dia, sempre com supervisão de um adulto |
| 6 a 10 anos | no máximo 1 a 2 horas por dia, sempre com supervisão |
| 11 a 18 anos | 2 a 3 horas por dia, incluindo videogame, e nunca virar a noite |
Para todas as idades, o documento traz duas regras que valem tanto quanto o limite de horas: nada de tela durante as refeições e desligar de 1 a 2 horas antes de dormir. Também recomenda que as telas fiquem nos espaços comuns da casa, e não no quarto.
O guia do governo federal sobre uso de telas por crianças e adolescentes, da Secretaria de Comunicação Social, segue a mesma referência da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Por que o horário importa tanto quanto a quantidade
O manual explica que a luz das telas atrapalha a produção de melatonina, o hormônio que prepara o corpo para o sono. O efeito aparece como dificuldade para dormir e sonolência no dia seguinte. Por isso uma hora de tela à tarde não é a mesma coisa que uma hora antes de deitar.
Do número à rotina
Saber o limite é a parte fácil. O difícil é o dia a dia: o tempo acaba no meio do jogo, a negociação começa, e o adulto vira o fiscal do relógio. Algumas coisas ajudam:
- Combinar antes, não na hora. A regra dita com calma, num momento neutro, é mais fácil de sustentar do que a decidida no meio de uma discussão.
- Deixar o saldo visível. Quando a criança sabe quanto tempo ainda tem, o fim deixa de ser surpresa.
- Separar tempo de tela de uso da tela. Pesquisa para a escola e videochamada com a família não precisam contar do mesmo jeito que jogo e vídeo.
- Ligar o tempo a algo que já precisa ser feito. Lição de casa, leitura, ajudar em casa. O tempo de tela deixa de ser concessão e passa a ser conquista.
Foi dessa última ideia que nasceu o Numapoa. Nele a criança ganha minutos de tela fazendo as atividades e as tarefas que a família combinou, e o limite se cumpre sem que ninguém precise ficar de olho no relógio.
Quero ouvir a sua experiência
Estou conversando com famílias sobre como o tempo de tela funciona na prática. Se você tem filho entre 7 e 12 anos, a pesquisa leva poucos minutos e não pede nenhum dado da criança além da faixa de idade.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Grupo de Trabalho Saúde na Era Digital. Manual de Orientação #MenosTelas #MaisSaúde, atualização 2024. https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/24604c-MO__MenosTelas__MaisSaude-Atualizacao.pdf (acesso em 24/09/2026)
- Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Crianças, adolescentes e telas: guia sobre usos de dispositivos digitais. https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/uso-de-telas-por-criancas-e-adolescentes/guia/capitulos/contextos-de-uso-de-telas-e-dispositivos-digitais-por-criancas-e-adolescentes (acesso em 24/09/2026)
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação do pediatra da sua família.